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Como H. G. Wells inventou boa parte da ficção científica moderna

Publicado em 7 de setembro de 2026 · leitura de 4 minutos

Viagem no tempo. Invasão alienígena. O medo de que o progresso científico saia do controle. Se esses temas parecem "modernos", é bom lembrar que um único escritor inglês já tinha explorado todos eles — em livros publicados entre 1895 e 1898. O nome dele é Herbert George Wells, e dois dos seus romances mais influentes estão no acervo do BiblioClube.

A Máquina do Tempo (1895): o primeiro grande "e se..."

Em A Máquina do Tempo, um inventor sem nome constrói um veículo capaz de se deslocar pelo tempo e viaja centenas de milhares de anos para o futuro. Lá, encontra a humanidade dividida em duas espécies completamente diferentes: os Eloi, frágeis e despreocupados, vivendo na superfície, e os Morlocks, criaturas que vivem no subsolo e sustentam esse "paraíso" de um jeito muito mais sinistro do que parece à primeira vista.

Wells não estava só imaginando um futuro bizarro por diversão: o livro é uma crítica direta à divisão de classes da Inglaterra vitoriana, levada ao extremo lógico de "o que acontece se essa desigualdade continuar por milhares de anos". É ficção científica sendo usada, desde o início, como ferramenta pra pensar o presente.

A Guerra dos Mundos (1898): o modelo de toda invasão alienígena depois dele

Três anos depois, Wells publicou A Guerra dos Mundos: cilindros metálicos caem do céu no interior da Inglaterra e deles emergem máquinas de guerra marcianas, altas como prédios, equipadas com raios de calor capazes de derreter qualquer coisa. O exército britânico, orgulho do império mais poderoso da época, se mostra completamente impotente.

Praticamente todo filme de invasão alienígena feito depois — de Independence Day a qualquer outro — deve alguma coisa a essa estrutura que Wells inventou: tecnologia superior, pânico generalizado, humanidade pequena diante do desconhecido. E o final do livro guarda uma reviravolta que continua sendo citada até hoje como uma das melhores soluções já escritas pra esse tipo de história.

Por que isso ainda importa

Wells escreveu esses livros décadas antes de existir a palavra "ficção científica" como gênero organizado. Ele não estava seguindo fórmula nenhuma — estava inventando uma. É por isso que ler essas duas obras hoje não é só curiosidade histórica: é ver, na origem, os mesmos mecanismos narrativos que ainda sustentam boa parte do cinema e da literatura de ficção científica atual.

A Máquina do TempoH. G. Wells, 1895 A Guerra dos MundosH. G. Wells, 1898

Os dois estão disponíveis gratuitamente no acervo do BiblioClube — é só clicar e começar a ler.